• Isabela Barreto Hildebrand Madureira

JOVENS DE BRASÍLIA SÃO OS PRIMEIROS CERTIFICADOS NO MUNDO EM PROGRAMA DA ONU QUE USA ESPORTE CONTRA

Programa Vamos nessa impactou cerca de 400 crianças e jovens de vários Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal



Camila de Magalhães

Não há dúvidas de que as experiências que marcam a memória são a melhor forma de fixar aprendizados. De um jeito lúdico envolvendo jogos esportivos, cerca de 400 crianças e jovens de 11 Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal formaram o primeiro grupo certificado no mundo pelo programa global Vamos nessa, do Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC). A cerimônia foi realizada nessa segunda-feira (2/4), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. O trabalho no DF foi desenvolvido em parceria com a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do DF e apoio da Fundação Assis Chateaubriand (FAC) e Instituto para o Desenvolvimento da Criança e do Adolescente pela Cultura e Esporte (Idecace).


De março a dezembro de 2017, foram treinados 70 professores e impactados mais de 600 crianças e jovens em Brasília e no Rio de Janeiro. Hoje a metodologia do programa já chegou em países como África do Sul, Quirguistão, Uganda, Palestina, Peru e República Dominicana. “Nossa proposta foi sair um pouco da palestra, da sala de aula e utilizar o esporte como uma ferramenta para que os jovens, entre eles, tirem suas próprias conclusões a partir de algumas dinâmicas desenvolvemos com foco nos fatores de proteção e de risco, que levam as pessoas a experimentarem drogas, a se envolverem com episódios de violência e dinâmicas criminais. Muitas vezes é uma incapacidade de dizer não, é uma insegurança que as pessoas têm ao lidar com emoções, e a gente vai trabalhando várias habilidades para a vida, no contexto desses jogos, no sentido de que os jovens, a partir de suas próprias capacidades, possam encontrar respostas e saídas para esses problemas”, explica Nívio Nascimento, coordenador do programa Vamos Nessa pelo UNODC Brasil.


Os Centros Olímpicos de Ceilândia (Parque da Vaquejada e Setor O), Estrutural, Samambaia, São Sebastião e Santa Maria foram os que receberam maior ênfase do projeto. Uma das professoras que mais se destacou na iniciativa e foi convidada para ir ao Rio de Janeiro no ano passado para compartilhar experiências com educadores de outros países atendidos pelo UNODC foi Juliana Lucena, que integra a equipe pedagógica da Fundação Assis Chateaubriand na unidade do Setor O.


Segundo ela, o intercâmbio foi muito positivo e trouxe novas ideias para aperfeiçoar o trabalho. “Temos alunos que vivem em situação de risco. No decorrer da aplicação do projeto Vamos nessa, descobrimos casos de alunos sendo violentados, vivendo em risco dentro de casa, alunos que são usuários de drogas muito pesadas e que, com esse projeto, a gente conseguiu identifica-los e fazer um trabalho diferenciado com ajuda de psicólogos e assistentes sociais que o Centro Olímpico oferece”, observou Juliana.


Esporte vai além do rendimento


Em São Sebastião, houve adaptações de atividades do basquete para trabalhar o assunto, acrescentando cones, cordas para fortalecer a importância do trabalho em equipe. Já na unidade da Estrutural, o professor Marcos Bulhão, também membro da equipe pedagógica da FAC, usou atividades de natação e bola para trazer reflexões. "As minhas aulas eram na piscina, mas busquei trazer isso dentro e fora da água. E o mais importante nesse processo foi o diálogo entre os alunos. Trouxe um avanço enorme para eles na questão do bullying, ampliação do conhecimento sobre drogas, interação, além de saberem que a atividade física pode trazer vários benefícios para a situação em que vivem atualmente. A parte teórca é muito importante, mas também procurei compartilhar com eles um pouco da minha vivência como pessoa, não como um coitado, mas alguém que passou por muitas dificuldades para chegar aonde estou."


Para Leila Barros, secretária de Esporte, Turismo e Lazer do DF, o mais importante dessa parceria foi a mobilização da juventude dentro dos Centros Olímpicos. “Esse público costuma ser o mais assediado quando o assunto é drogas e violência. Eles são as maiores vítimas. As pessoas focam muito no esporte como rendimento, mas a gente sabe que o esporte é educação, são valores, formação e pode ser um aliado nessa prevenção. Esse é o intuito da parceria. Fico muito feliz de vermos hoje os primeiros frutos e perceber como todo mundo abraçou esse projeto e ele está aí, se consolidando com os primeiros certificados.”



Turma da Estrutural desenvolveu temas na piscina e se fortaleceu com diálogo (Foto: Camila de Magalhães/FAC/D.A Press)


Depoimentos dos jovens


O pequeno Saul Olifer de Melo, 13 anos, aluno do Centro Olímpico e Paralímpico de Samambaia, conta que as atividades trouxeram bastante experiência. “Foi muito bom no sentido de colaborar com as amizades, respeito mútuo e solidariedade. As drogas são um vício da própria cabeça. As pessoas que não conseguem distinguir a vontade e a necessidade não sabem parar. A mente pode ser fraca, pode faltar ajuda dos pais, dos irmãos, dos familiares”, ressalta o jovem.


A sensação de Angela Ohana de Oliveira, 14 anos, aluna da unidade Estrutural, é de mais segurança para enfrentar situações que possam surgir. "As aulas ajudam os jovens a não entrarem nessa vida. Quem entra sofre demais. Percebi que ajudou pessoas que já sofreram abuso, bullying, para não se virarem contra o mundo. Nos ajudaram a sermos pessoas boas e não destruirmos a vida com drogas e álcool."


O jovem de Ceilândia Romeu Vitorino, 16 anos, ressalta que o Vamos nessa trouxe pontos de vista diferentes. "Nas reuniões que a gente teve, todos traziam sua opinião, participavam. Isso contribuiu bastante para a gente entender como funciona. Às vezes, o projeto mesmo puxa a pessoa para te deixar ligado, saber como lidar com esses assuntos. Acho que foi bem positivo. Teve um amigo meu que mexia com drogas, fumava muito, tinha problemas com a família. Chamei ele para participar do basquete, ele se envolveu com o projeto, parou de fumar, e está aí no Centro Olímpico melhorando a cada dia. Gosto dele porque é bem animado e, sem as drogas, ficou mais animado ainda. Ele, de vez em quando, passa perto de mim e agradece. Fico feliz."


> Leia também: Brasília é pioneira em projeto esportivo da ONU contra drogas e violência


Parceria pelo esporte


Em parceria com a Secretaria de Esporte, Turismo e Lazer do Distrito Federal, a Fundação Assis Chateaubriand é responsável pela gestão pedagógica de 7 dos 11 Centros Olímpicos e Paralímpicos do Distrito Federal: Ceilândia (Parque da Vaquejada e Setor O), Estrutural, Riacho Fundo I, Samambaia, São Sebastião e Sobradinho. Além das aulas esportivas regulares, são desenvolvidos treinamentos de rendimento, eventos comemorativos e esportivos, além de cursos de qualificação social. Clique aqui para saber mais sobre esse trabalho.


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